A importância do mercado da Canabis para o Brasil

Como funciona o acesso, quem pode usar e o que dizem os dados recentes

A cannabis medicinal vem ganhando espaço no Brasil nos últimos anos, tanto no sistema de saúde quanto no Judiciário. O interesse cresce porque milhares de pacientes relatam melhora em sintomas variados, desde dor crônica e ansiedade até epilepsia e distúrbios do sono. Para entender o cenário atual, é importante conhecer as formas de acesso, onde estão os obstáculos e como os pacientes têm buscado alternativas legais.

Como funciona o acesso à cannabis medicinal no Brasil

Hoje existem quatro caminhos principais:

  1. Importação
    A Anvisa permite que pacientes importem produtos à base de cannabis mediante receita médica. Ainda é a via mais conhecida, porém os custos podem ser altos.
  2. Compra em farmácias
    Algumas formulações são vendidas em território nacional com prescrição médica. Embora mais prático, o preço ainda é elevado para muitas pessoas.
  3. Associações de pacientes
    Associações sem fins lucrativos fornecem óleos produzidos para seus membros. Algumas possuem autorização judicial para cultivo coletivo.
  4. Autocultivo com autorização judicial
    Pacientes podem conseguir permissão para cultivar sua própria planta em casa mediante decisão judicial, geralmente por meio de habeas corpus ou ações específicas.

O crescimento do uso medicinal e os números mais recentes

Segundo o relatório anual da Kaya Mind de 2025, o Brasil tem cerca de 873.111 pacientes em tratamento com cannabis medicinal . Isso inclui usuários que acessam os produtos por importação, farmácias, associações e cultivo autorizado.

Além disso, dados mostram que a demanda por alternativas mais acessíveis vem crescendo. Muitas pessoas buscam tratamento, mas encontram barreiras financeiras ou logísticas. É nesse contexto que o autocultivo e as associações ganham força.

Autocultivo e autorizações judiciais: um caminho importante para o acesso

Nos últimos anos, a Justiça brasileira se tornou um dos principais canais para quem precisa da planta e não consegue pagar por importados ou produtos de farmácia.

Os dados mostram esse avanço:

• Cerca de 7.000 pacientes já cultivam sua própria planta com base em decisões judiciais autorizando o autocultivo
• O Superior Tribunal de Justiça recebeu 978 pedidos de habeas corpus relacionados a cultivo medicinal desde 2013, indicando que a judicialização é uma prática consolidada para pacientes que buscam autonomia no tratamento .
• Mais de 40 associações brasileiras possuem autorização para cultivo coletivo de cannabis voltado a fins medicinais, fornecendo óleo a seus associados de forma regulada pelo Judiciário .
• Entre 2017 e 2023, o número de pedidos relacionados a cultivo medicinal aumentou aproximadamente 4.100%, mostrando uma explosão na procura por esse tipo de autorização .

Esses números revelam duas realidades. Primeiro, o autocultivo se tornou uma alternativa concreta e acessível para pacientes que não encontram outra forma de tratamento viável. Segundo, o aumento expressivo de pedidos judiciais evidencia a falta de regulamentação abrangente, que poderia permitir um acesso mais simples e seguro sem que cada caso precisasse ser judicializado.

Por que tantos pacientes recorrem ao Judiciário

A resposta é simples: custo, disponibilidade e continuidade do tratamento.
Importar produtos pode custar valores muito altos. As opções de farmácia ainda são limitadas e, em muitos casos, também caras. Já as associações dependem de decisões judiciais e possuem listas de espera.

O autocultivo autorizado se apresenta como uma solução eficaz porque permite ao paciente produzir o próprio óleo de forma contínua, econômica e estável. Para muitas famílias, especialmente aquelas com pacientes de uso crônico, a autonomia no tratamento é o que garante qualidade de vida a longo prazo.

O que esperar para os próximos anos

Com o número de pacientes crescendo e o Judiciário se consolidando como um canal de acesso, o tema avança para um debate mais maduro sobre regulamentação. Especialistas apontam que o caminho envolve ampliar a produção nacional, facilitar o acesso pelas farmácias e criar regras claras para cultivo individual e associativo.

Enquanto isso não acontece, o Brasil segue com milhões de pessoas buscando alternativas para tratar sua saúde de forma segura e eficiente.

Deixe um comentário

Shopping cart

0
image/svg+xml

No products in the cart.

Continue Shopping